"Como eu estou? Pareço apresentável?" Ele perguntou ajeitando a gravata.
"Parece um idiota." Hella respondeu. "Por que se importa tanto com um reles mortal?"
"É minha afilhada! Sabe quanto tempo faz desde que algum humano me ofereceu algo?" Loki respondeu mudando de roupa novamente, deixando o terno jogado sobre o trocador e vestindo uma camisa xadrez. "E agora?"
"Pra que tanto esforço?" Ela tornou a perguntar.
"Deixe-o, ele está animado." Sigyn falou. "Que tal, querido? Apropriado para o século vinte e um?" perguntou rodopiando e mostrando seu vestido azul claro de alças trançadas. Loki sorriu e tornou a vestir o terno.
"Maravilhosa, como sempre!" respondeu com um sorriso, que logo se fechou dando-lhe um severo semblante de preocupação. "O que eu deveria levar para minha afilhada? Um exército? Uma armadura de ouro? Um cetro místico?" perguntou a todos os presentes, seus filhos, netos e esposa. "Não é de bom tom fazer uma visita sem levar um presente!"
Ele se sentou e colocou o rosto entre as mãos. Havia sido liberado temporariamente de seu cativeiro, Fenrir de suas correntes, Hati e Skoll deixaram momentaneamente de perseguir o Sol e a Lua, Hela deixara seu reino e Jormungand se dobrara, tomando uma forma humana assim como os outros, apenas para acompanhar Loki na visita a sua mais nova afilhada, oferecida por um casal de humanos numa brincadeira, mas que o deus aceitara de bom grado.
"Por que não lhe dá um simples pônei, como toda criança deseja?" Fenrir resmungou. "Essa forma é degradante!"
"É!" Seus filhos concordaram em coro.
"Calados!" Loki gritou. "Tudo bem, tudo bem, tive uma ideia! Podemos ir."
A campainha tocou. June estranhou e embalou a pequena Ingrid que acabara de dormir enquanto Jason abria a porta.
"Bom dia! Eu sou Loki, essa é minha esposa, Sigyn, e esses são meus filhos e netos..." Ele não conseguiu terminar. Jason desmaiou ao ver as sete pessoas muito bem vestidas a sua porta, alegando serem deuses nórdicos - mitológicos!
June se levantou assustada e correu até o marido.
"Quem são vocês?" Ela perguntou alternando entre assistir o marido e olhar os visitantes.
"Eu sou Loki, essa é minha esposa, Sigyn e..." E novamente ele não conseguiu terminar, June também desmaiara. A bebê chorou e Loki se apressou a entrar, seguido pelos outros. Ele a pegou no colo e a balançou com delicadeza "Quanto tempo... Bom, olá pequena, eu sou seu padrinho!" Falou sorridente.
"O que fazemos com eles?" Hati e Skoll perguntaram.
"Coloquem-nos no sofá." Sigyn falou pegando June e seguindo a própria ordem. Os gêmeos assentiram e fizeram o mesmo. "Ela é linda!" Sigyn sussurrou indo até o marido e pegando a recém nascida no colo.
"Sim, ela é. Assim como você." Loki sussurrou. "Agora, o meu presente." Ele a colocou novamente no bebê conforto, seus olhos se tornaram verde brilhantes e ele tornou a sussurrar. "Eu, Loki, como deus e vosso padrinho, abençoo-lhe, e partir de hoje o fogo não será capaz de ferir-te, nem qualquer outro tipo de encanto e feitiço, se não aqueles lançados por mim, e você mesma. Te acompanharei e quando você crescer e tiver idade suficiente, lhe ensinarei a controlar magia para que possa mudar de forma assim como eu." A pequena sorriu quando a bênção lhe atingiu, se agitou e bocejou, logo voltando a dormir. June e Jason acordaram, ainda assustados. "Gostaria de agradecer pela oportunidade de me darem a filha de vocês como afilhada. É a primeira vez em toda uma eternidade que fazem isso!"
O casal mortal se entreolhou para só então perceber que não se tratava de um sonho, era realmente o deus Loki ali, a quem eles haviam escolhido como padrinho para a filha recém nascida no meio de uma brincadeira com o melhor amigo de Jason.
"É uma honra..." Jason tentou falar. June começou a rir nervosa, olhando para todos na sala.
"Eu sabia que era real! Eu sempre soube! Mas você não deveria estar numa caverna...?"
"Ah, bom, dados os eventos houve um consenso e todos nós recebemos 'permissão' para visitá-los." Sigyn explicou.
"Ainda assim, nomearam-lhe para outro deus." Hela resmungou caminhando até o bebê conforto. "Mas ela é fofa. Meus parabéns."
"Também quero dar algo a ela." Jormungand falou atravessando a sala e pegando a criança no colo. "Deixo em ti minha marca. E enquanto viver, nenhum veneno dos nove mundos será capaz de machucar-te, toda ou qualquer serpente lhe será fiel e lhe respeitará. Esse é meu presente a você, pequena amazona." Ingrid gargalhou alto mexendo os pequenos bracinhos enquanto a magia lhe envolvia. Jormungand devolveu-a para o bebê conforto e deixou escapar um pequeno sorriso. "Minhas sinceras felicitações."
"Nós deveríamos dar-lhe algo também?" Os gêmeos perguntaram. Fenrir os encarou sério e suspirou.
"Pequena amazona, eu e meus filhos presenteamos-lhe com força, coragem e lealdade." Disse com suas presas a mostra, os olhos amarelados focados na menor, que apenas riu. "Mais do que já tem. Meus parabéns pela filhote, ela tem um futuro brilhante pela frente, ainda mais com uma família como essa."
De repente ela começou a chorar alto, deixando todos assustados. O céu escureceu e um trovão se fez ouvir. Um homem ruivo e outro loiro apareceram na sala e o céu voltou ao normal.
"Ela é a coisa mais linda de todos os nove mundos!" O loiro falou indo até a bebê e a pegando no colo enquanto ela ainda chorava. "Olá pequena, sabe quem sou eu?"
"Frey, você a está assustando." O ruivo falou.
"Você a assustou primeiro com sua mania de entradas e efeitos especiais!"
"O que estão fazendo aqui?" Loki perguntou pegando a afilhada do colo do deus loiro. "Está tudo bem, querida, eles já vão embora." Ele sussurrou embalando a menina, depois entregando-a à mãe.
"Vocês são diferentes dos filmes e hqs." Jason brincou.
"Você jura?" Fenrir resmungou.
"Os principais responsáveis pelo fim dos tempos e você chora com um trovão? Sério isso?" June brincou com a filha.
"Eu disse, a culpa é do Thor!" Frey falou cruzando os braços. "Ela é minha amazona, eu nunca lhe faria mal!"
"Ela não é nada sua!" Loki rosnou. "É minha afilhada! Vocês sequer deveriam estar aqui!"
"Olhe como fala, Loki." Thor falou com o martelo em mãos.
"Calem-se os três." June ordenou. "Não dou a mínima se são deuses ou seres míticos, essa é a última coisa que me importa agora. Mais uma palhaçada dessas de brigar aqui com minha filha por perto e estão todos expulsos!" Gritou se levantando no momento em que Jason pegou a filha de seu colo. Thor direcionou o martelo para June.
"Mais respeito com os deuses, mortal."
"Entre deuses antigos e minha filha, adivinhe quem eu respeito mais."
Thor sorriu e abaixou o martelo, Frey foi até June e a abraçou.
"Acho que sua filha." Respondeu rindo. "Bela escolha de nome, inclusive."
"É o mesmo da minha avó." June falou se sentando novamente. "Ela odiava, dizia que era complicado a ponto de nem ao menos ter um significado."
"Mas tem muitos..." Frey sussurrou.
"Nós sabemos. Agradeço, de verdade. A todos vocês."
"Sabe o que é interessante?" Jason perguntou. "Acho que ela não chorou pelo trovão."
"E por que seria então?" Sigyn perguntou.
"Porque segundo os Eddas, todos aqui morrerão no Ragnarök." Ele disse sério. O silêncio reinou no cômodo. "Alguém quer café?" Perguntou, na tentativa de mudar o clima.
"Não, obrigado. Na verdade, deveríamos ir embora." Thor respondeu.
"Eu tenho que amamentá-la, mas não se incomodem." June pegou a filha novamente e se direcionou para as escadas. "Eu já volto."
"Não se preocupe. Não há nada mais natural que uma mãe amamentando sua criança, nem ato mais lindo de amor. Não nos importamos." Frey falou.
"Ele está certo." Hela comentou. "Não acredito que concordei com ele, mas é verdade. Fique, mas apenas se se sentir confortável conosco."
June concordou e voltou a se sentar, abaixando a blusa e passando a alimentar a pequena.
"Não hesite em me chamar quando precisar." Loki declarou entregando um colar com duas cobras que formavam um "S" e mordiam o rabo da outra para Ingrid. "Estarei sempre ao seu dispor, minha pequena! Sempre. Agora vamos, antes que algum outro deus também apareça."
E se despediu, deixando um beijo na testa da menor e acenando para seus pais, assim como todos os outros, que desapareceram com um trovão.
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