Eu acho que há algo errado. Quando vejo a distância da pia e o meu rosto em comparação a anos atrás, acredito que algo esteja errado. Quando vejo minha idade aumentar e me vejo no mesmo cenário de anos, a mesma casa, a mesma rua, o mesmo tudo. Como se eu precisasse mudar, e eu preciso.
Esse é o problema: eu tenho medo do futuro, mas a rotina me agonia.
Tenho medo do que pode acontecer amanhã ou daqui a três anos. Não sei o que esperar, e a única certeza que tinha, se foi. Tenho medo do que tenho que me tornar, do que posso me tornar, e do que devo me tornar. Medo de expectativas, medo dos objetivos, e medo do medo.
Eu estou presa no furacão, mas eu também sou o furacão. Caio no buraco do coelho mas é nesse mesmo buraco que minha vida se fez e faz. Estou assustada e perdida.
Nenhum desejo, interesse, objetivo ou sonho dura. Nada dura mais que poucos minutos ou dias. Tudo parece sem sentido e importância. Nada parece certo.
O que me mantinha inteira não o faz mais, agora é como se toda a minha base estivesse grudada por chiclete. Não vai durar muito tempo, mas vai durar mais do que eu gostaria quando penso em tudo.
O medo agarra meu pescoço com a força de um leão, frio como metal, mas a ponto de queimar.  Eu vejo o espelho mas mesmo ele se recusa a falar comigo, mesmo meu reflexo desistiu de mim. Eu ando e me deito em pedaços de cristal na beira da escada, com pétalas de rosas, brancas, vermelhas e rosas, caindo sobre mim, junto com gotas de tinta que acompanham as mesmas.
Há sete camas, todas incrustadas em jóias que não brilham mais. Um tapete voador que mal alcança a janela junto a uma lâmpada empoeirada. Uma biblioteca coberta de neve. Uma lagarta que fala coisas sem sentido. Conchas de todos os tamanhos e cores completamente sujas e cobertas de areia, a mesma que impede minha voz de sair.
Então eu me deito novamente, ao lado da janela da torre. A torre envolta por um dragão mais inofensivo que os espinhos das rosas do novo jardim. Belas rosas que falam e encantam até você dormir, encanto que só não funcionava em mim mas agora o faz, e enquanto me faz adormecer me congela de dentro para fora.
Mas nessa história, não há príncipe ou beijo de amor verdadeiro para me salvar.
Porque príncipes não salvam bruxas.
E bruxas não encontram amor verdadeiro.

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15/12/2014