"Sua mão, fria e pequena, segura meus cabelos e os puxa. Com
força ela me joga contra uma das paredes da cela, uma cela fria e pequena, com
algumas janelas que deixam a luz entrar, e as vezes até posso conversar com
outros por elas.
Meu peito dói e eu choro. Parece que as paredes diminuem
cada vez mais, as janelas vão sumindo, está tudo frio e escuro.
Eu estou sozinha.
Eu não quero estar sozinha.
Desejei não estar mais sozinha à uma pequena luz, a última
que vi recentemente.
Meu corpo todo dói, me encolho e choro. O frio só piora
minha situação.
Eu não aguento mais estar sozinha. Não quero mais estar
sozinha.
Onde estão minhas janelas? Onde estão os outros? Onde?
Não consigo parar de chorar. É pedir demais? Uma companhia,
uma luz, é pedir demais?
Minha garganta se fecha e minha respiração falha. Chorei
demais. Fiz barulho demais, e a mão volta. Me bate, me algema e me coloca numa
cela ainda menor, ainda mais escura.
E eu continuo sozinha.
Minha cabeça lateja, sinto meu sangue escorrer pelo rosto. Não
dói tanto quanto estar sozinha. Eu queria que doesse mais do que estar sozinha.
Me ajoelho no escuro e cubro a cabeça com as mãos. Talvez se
eu imaginar o suficiente, talvez se eu sonhar mais um pouco, se eu esperar
mais, talvez venha alguém.
Será que um dia não ficarei mais sozinha?"
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